Mais de 1 milhão de crianças e adolescentes brasileiros com idade entre 6 e 17 anos têm problemas com uso de álcool e drogas. Pelo menos uma vez na vida o uso das substâncias já provocou acidentes de carro, envolvimento com brigas em casa e na rua e transtornos com a polícia.
Elas fazem parte de universo de cinco milhões de brasileiros (12,6%), nessa faixa etária, que apresentam sintomas de transtornos mentais graves, como hiperatividade ou desatenção, transtorno de aprendizagem ou bipolar, depressão, irritabilidade e comportamentos desafiadores. Informação da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que encomendou pesquisa ao Ibope.
Número foi maior que esperávamos, mas seguiu tendência já apontada por outros trabalhos anteriores. É um indicativo que o problema está aumentando”, diz Tatiana Moya, coordenadora da pesquisa. Estudo realizado entre 15 e 19 de agosto em 142 municípios de todas as regiões do Brasil. No período, 2.002 mães concederam entrevistas para relatar situação dos filhos.
egundo a pesquisa, 9% dos jovens que pertencem à classe C já apresentaram problemas causados pelo uso de álcool, maconha, ecstasy, cocaína, crack, lança-perfume, cola ou LSD. Nas classes A e B o percentual cai para 4%. Crianças de família com renda entre 1 e 2 salários mínimos também estão mais expostas: 10% delas já tiveram experiências com drogas, enquanto nas de orçamento superior a 10 salários mínimos o índice reduz a zero.
lém da exposição, foi detectada maior dificuldade para mães de baixa renda encontrarem tratamentos aos filhos. O Sistema Único de Saúde (SUS) não conseguiu oferecer ajuda a 60% das famílias que recorreram aos hospitais públicos. “Existência de Ambulatórios de Saúde Mental Infantil é exceção nos estabelecimentos médicos do Brasil”, afirma Moya, que coordena o Departamento de Epidemiologia Psiquiátrica da ABP.
época de maior incidência no consumo é período em que a criança está matriculada da 5ª à 8ª séries do ensino fundamental, quando 11% das mães reconhecem que filhos fazem uso de entorpecentes. A orientação para elas é procurar ajuda com psiquiatras infantis para saber a melhor forma de lidar com a questão. “As crianças, muitas vezes, não reconhecem o problema, não aceitam tratamento e acabam por se envolver em atividades ilícitas para sustentar o vício, como roubos, assaltos e prostituição”, diz Moya.


